domingo, 28 de dezembro de 2008

As coisas que as escolas não ensinam!!!!


Stephen Downes é um especialista canadense em educação e e-learning. Ele criou um blog especialmente dedicado para discutir as coisas que as escolas não ensinam e que são, na verdade, fundamentais.
Pelo sim pelo não, resolvi fazer um resumão porque o artigo deveria ser distribuído na portas das escolas, nas ruas, na saída dos cinemas, nos shoppings...

Lição 1. Como prever as consequências
A frase mais comum depois de um desastre é "nunca imaginei"...
O fato é que a maior parte das pessoas tem muita dificuldade em prever as consequências das suas ações e as escolas parecem jamais ter pensado em ensinar como melhorar esse aspecto. Prever as consequências é parte ciência, parte matemática. É a habilidade de criar um modelo mental de uma sequência de eventos.
O problema é que em geral a gente confunde a previsão com o desejo e aí tudo fica muito complicado. Prever é avaliar o passado, reunir informações sobre o presente e, muitas vezes, brincar de estatística para responder a perguntas do tipo: que chances eu tenho de saltar de uma altura de 3 metros e sobreviver, são e salvo?

Lição 2. Como ler corretamente
Ao contrário do que você imagina, ler bem não tem nada a ver com ler literatura. Ler tem a ver com olhar para um texto e realmente entender o que está sendo dito (isso também vale para áudio e vídeo, é claro!) e compreender o que, embora não esteja expresso, é parte integrante do texto. Ler na entrelinhas, intuir o contexto, isso é LER.

Lição 3. Como distinguir fatos e ficção
Questionar o que que está sendo dito, aquilo que você lê ou vê na TV é uma ferramenta fundamental para viver num mundo onde todo mundo tem uma opinião sobre todas as coisas e essa opinião muitas vezes é apresentada como se fosse a verdade absoluta.

Lição 4. Como criar empatia com os outros
Muita gente vive no seu próprio mundinho fechado. Nem sempre isso é um problema, mas reconhecer que existem outras criaturas que compartilham nossos espaços e caminham ao nosso lado e que essas pessoas eventualmente também estão vivendo em seus mundinhos fechados é fundamental para a sobrevivência, a sua e, quem sabe até a de todos. Isso vai impedir você de assumir que todos os outros seres são iguais a você. E, ainda mais importante, reconhecer essa presença faz desse outro uma fonte surpreendente e fértil de conhecimentos, inspirações e novas idéias.

Lição 5. Como ser criativo
Acredite, todo mundo pode ser criativo. Nossa espécie é feita para ser assim. Com um pouco de prática você pode ficar muito bom nisso. Criatividade não nasce do nada. Em geral, ela surge como resposta a algum problema. Um bom jeito de exercitar a sua criatividade é procurar problemas que precisem ser resolvidos, coisas que merecem respostas, necessidades que precisam ser satisfeitas. Escreva sobre essas coisas que você vai encontrando por aí, quem sabe num blog?

Lição 6. Como se comunicar com clareza
Comunicar-se bem é, mais do que tudo, uma questão de saber o que dizer e de dominar algumas ferramentas. A parte mais difícil disso, pode acreditar, é saber o que dizer. A regra de ouro é: gaste mais tempo assegurando-se de que entendeu exatamente o que está querendo dizer e só depois colocando as idéias no papel. Os escritores e jornalistas, em geral, pensam num esqueleto antes de sequer começar a digitar a primeira linha.

Lição 7. Como aprender
Seu cérebro consiste em bilhões de célular neurais ligas umas às outras. Aprender é essencialmente arrumar essas conexões. Seu cérebro está sempre aprendendo, esteja você estudando matemática ou olhando para o céu, porque essas conexões estão sempre sendo feitas. A diferença é "como" você aprende. E aprender é uma questão de prática e de repetição. Com o tempo você vai reconhecendo padrões e aplicando esses padrões a outras e outras situações.
Na próxima aula de matemática, tente pensar que estudar qualquer matéria é estudar os arquétipos, padrões básicos, que você vai reconhecer uma vez e depois outra e mais outra... Então tente perceber esses padrões sempre, em todas as disciplinas. Qual é o padrão e não quais são os fatos é a pergunta correta. Responder a essa pergunta vai fazer você aprender de um jeito muito mais fácil.

Lição 8. Como manter-se saudável
De um ponto de vista muito prático, manter a saúde envolve dois componentes: minimizar sua exposição à doenças e a toxinas e preservar seu corpo físico. Simples não é? No entanto, muitas vezes a gente acaba esquecendo que isso é, além de uma lição um direito. Voê nunca deveria ter que se justificar ou se explicar por tentar proteger sua saúde e sua vida. É seu direito absoluto fazer isso. Nenhuma consequência vale você abrir mão desse direito.

Lição 9. Como valorizar a si mesmo
É talvez um pouco cínico dizer isso, mas a sociedade é uma gigantesca conspiração para fazer você se sentir mal a respeito de si mesmo. A propaganda faz você se sentir mal para fazê-lo comprar coisas das quais não precisa, os políticos fazem você se sentir incapaz para fazê-lo imaginar que depende deles para salvá-lo, mesmo seus amigos podem fazê-lo duvidar de si mesmo, ainda que inconscientemente, para ganhar alguma vantagem.
Você pode ter todos os recursos e o conhecimento do mundo, mas nada vai adiantar se você não se sentir empodeirado (empowered) para usá-los. É como ter uma Ferrari sem ter carta de motorista para dirigi-la!
Valorizar a si mesmo é sentir que você é bom o bastante para ter uma opinião, uma voz e que suas contribuições são importantes. É sua habilidade de ser independente e de não precisar de outra pessoa ou de uma instituição para sentir-se bem, autônomo e capaz de tomar as decisões necessárias para viver sua própria vida, do seu jeito.

Lição 10. Como dar sentido para a vida
Viver uma vida cheia de significado é, na verdade, uma combinação de várias coisas. Depende, é claro, de sua dedicação a um propósito ou a um objetivo. Mas também depende de sua capacidade de apreciar o "aqui e agora". E, finalmente, depende de você se dar conta de que seu lugar no mundo, seu significado, é alguma coisa que você mesmo precisa contruir.

Sabem, isso é mesmo só um resumo...

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Professor é condenado por matar aluno que não fez o dever de casa


Professor é condenado por matar aluno que não fez o dever de casa
Julgamento foi realizado em Alexandria, no Egito.Professor é condenado por matar aluno que não fez o dever de casa
Julgamento foi realizado em Alexandria, no Egito.
Professor de matemática pegou 6 anos por matar aluno de 11 anos.

Da Reuters

O professor de matemática Haitham Nabeel Abdelhamid, de 23 anos, escuta a sentença durante julgamento realizado em corte de Alexandria, no Egito. Ele foi condenado a 6 anos de prisão nesta quinta-feira (25) por espancar até a morte em um aluno de 11 anos, Islam Badr Ibrahim, que não havia feito o dever de casa. Na ocasião, além de palmadas com régua, Abdelhamid deu pancadas violentas no estômago do estudante. Na foto ao lado, a mãe do garoto chora após ouvir o veredicto (Fotos: Asmaa Waguih/Reuters)
Professor de matemática pegou 6 anos por matar aluno de 11 anos.

Talebã ameça explodir escolas que aceitem meninas no Paquistão


Da BBC Brasil - 25/12/2008 15:26
Talebã ameça explodir escolas que aceitem meninas no Paquistão
Ameaça foi transmitida por um radio pirata no vale do Swat, no noroeste do país.

Militantes do Talebã no vale do Swat, ao noroeste do Paquistão, ameaçaram matar meninas que freqüentarem as escolas da região.

A ameaça foi feita por um comandante local do grupo e transmitida por uma rádio pirata.

Os militantes deram um prazo até o dia 15 de janeiro para que os pais parem de mandar suas filhas à escola e disseram que o grupo irá explodir colégios que matricularem meninas.

As escolas para meninas já foram alvos de ataques diversas vezes. No entanto, essa é a primeira vez que o Talebã proíbe que as estudantes freqüentem as aulas.

Um porta-voz do grupo disse que a proibição permanecerá em vigor até que os princípios da sharia - conjunto de leis islâmica - sejam adotados por completo na região.

Educação

Neste ano, mais de 130 escolas públicas foram queimadas apenas no vale do Swat, deixando mais de 70 mil estudantes sem educação.

Essas escolas não são instituições religiosas islâmicas e ensinam disciplinas a partir do currículo sugerido pelo governo paquistanês. Por isso, são consideradas pelos insurgentes como símbolos do governo.

No comunicado transmitido no vale do Swat, o Talebã declarou que, além das escolas do Estado, as particulares também serão destruídas se matricularem estudantes meninas.

Moradores da região afirmam que os ataques nos colégios prejudicaram de maneira significativa a educação de jovens de ambos os sexos na região.

Aqueles que têm condições financeiras para deixar a localidade, se mudaram para outras regiões, mas a maioria pobre não tem outra opção senão manter suas filhas em casa.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008


Caso 4
Um aluno do professor *Marcos briga com outro colega, na escola do bairro Dom Silvério, região Nordeste de Belo Horizonte. A vingança é enfiar uma chave de fenda na cabeça do outro, sem dó. Por sorte, o colega não morreu, mas ficou com o lado esquerdo do corpo todo paralisado. O mesmo professor vai, então, para a segunda escola, em Contagem, onde também dá aulas. Para acabar com a tensão, ele propõe uma atividade no pátio. De repente, um aluno que não era da turma atirou um pedaço de pau nas costas do professor. De tão abalado, Marcos pede para ser transferido.

Bolinhas de Papel


Caso 3
A professora *Mara dá aulas para crianças de 10 anos, no bairro Nazaré, região Nordeste de Belo Horizonte . Ela tem 26 anos de magistério na rede municipal de ensino. Dois alunos começam a incomodar os colegas assobiando, depois cantando e por fim, batendo nos outros. Após vários pedidos da professora, que altera a voz e faz um sermão gritado, os dois alunos, numa atitude de deboche e sem qualquer respeito também gritam com a professora: "Cala a boca professora, você já está na hora de morrer. A gente num vai ficar quieto não. Nós queremos é zona mesmo". Continuam cantando e incomodando os colegas e, inclusive, jogando bolas de papel na professora. Detalhe: as bolinhas de papel foram tiradas do caderno doado pela escola, pois os alunos não têm dinheiro para comprar material escolar . O caderno tem pouquíssimas anotações, porque alegam que não têm nenhuma vontade de escrever.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

BURNOUT2


Caso 2
A aula começa às 7h. Dez minutos antes, entra na escola uma mãe com o filho todo roxo e esfolado. Ela reclama que uma turma de meninos "pegou o filho dela depois da aula e deu uma surra". A coordenadora chama os alunos citados para ver o que, de fato, aconteceu. No início, tentam negar, depois jogam a culpa para cima do garoto que apanhou. Por fim, a confissão quando um dos colegas da sala diz que existe até uma lista de nomes de quem vai apanhar e bater. A professora *Tânia, entretanto, não pode fazer nada. O máximo é chamar os pais, que nunca comparecem à escola - e delegam à professora a função de educar. Façam o que vocês quiserem, pois ele não obedece mesmo e eu já não estou mais agüentando .

BURNOUT


Professores
(Déa Januzzi, Sandra Kiefer e Telma Gomes)
Suzana, Tânia, Mara e Marcos são professores da rede pública de ensino e estão sofrendo de uma dor profunda, praticamente incurável: a Síndrome de Burnout atinge 25% da categoria ou um a cada quatro professores. É o que revela a pesquisa realizada pelo Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), apresentada, no ano passado, no Congresso de Pedagogia de Cuba, com repercussões internacionais. Descoberta no Brasil, a Síndrome de Burnout é recente e está transformando a vida dos professores. Apáticos, desiludidos, frustrados profissionalmente, os professores estão doentes. Burnout não é estresse, depressão ou angústia. Em português quer dizer perder o fogo, a energia . É uma síndrome que faz o trabalhador perder o sentido de sua relação com o trabalho, de forma que nada mais importa e qualquer esforço parece inútil , explicam os pesquisadores.
No dia-a-dia , os professores enfrentam o dilema de poder oferecer o melhor ao seu aluno, mas muitas vezes se deparam com tantas dificuldades que desenvolvem a Síndrome de Burnout, uma espécie de ausência que pode levar à falência da Educação. Eles se transformam em robôs. Entram para a sala de aula, viram para o quadro e não se importam com o que está acontecendo à sua volta , diz Marcos Maiolino, assessor da CNTE. A postura de distanciamento, segundo ele, é grave, pois a atividade educacional pressupõe envolvimento. Se o professor está ausente, alguma coisa anda errada com a educação .
Outros trabalhadores podem apresentar estresse, mas quando voltam para casa esquecem o problema. Já o professor não só leva os exercícios para casa, mas também os problemas, as dificuldades de cada aluno, pensa naquele que se envolve com drogas, que está se iniciando no mundo do crime ou no outro que não aprende, pois o pai abandonou a casa. Tem o aluno que não pode comprar material escolar ou que sofre a violência doméstica, abuso sexual. Tem o outro que briga na rua. O professor quer mudar a vida do seu aluno, está comprometido com o seu futuro, com a esperança de uma vida melhor. Muitas vezes, ele leva o aluno para casa .
O magistério é encarado pelo professor como uma missão, que pode levar à Síndrome de Burnout, se não for cumprida: Eu me sinto impotente ao lidar com os alunos, pois é algo semelhante a remar contra a maré. Às vezes é possível observar algum esforço da parte deles, mas não há retorno, pois as deficiências de aprendizagem e as barreiras são muito grandes. No total de alunos, metade é totalmente apática. Os outros 50% até se esforçam, mas não possuem base, não absorvem. Não vejo resultado em meu trabalho, sendo que os alunos da noite conseguem ser ainda piores. Estou sendo muito sincera, não consigo encontrar nenhum tipo de satisfação no magistério. Se existir ainda alguma coisa é desprezível. Trabalho apenas por obrigação. Ao sair para o trabalho, o que me move é apenas o sentimento de obrigação. É como o gado que sai para pastar e depois volta para casa , conta uma vítima de Burnout.
A professora *Suzana está com medo de escrever as lições no quadro, treme só de pensar em virar de costas para a turma, pois sabe que um de seus alunos tem um revólver escondido dentro da mochila. Na escola da Nova Granada, região Oeste da cidade, a professora é ameaçada de morte todo dia, mas nem pensa em desistir pois gosta demais da turma. Conhece o nome e o sobrenome de cada um. E, nos últimos dias, anda muito feliz, pois conquistou a confiança do aluno mais temido da escola. Agora, ele entrega à professora o cigarro de maconha antes de entrar na sala de aula. Para garantir as conquistas, a professora dá o telefone de sua casa. Um dia, porém, alguém liga para dar a pior notícia que ele poderia receber: o aluno acabara de ser morto por traficantes. O mundo vem abaixo. Dois meses de licença e a dor não vai embora, até que ela pede transferência da escola, porque tem medo de que não consiga mais manter a mesma qualidade do ensino.