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sábado, 19 de fevereiro de 2011

sábado, 6 de novembro de 2010

Saco de pancadas

Para Tavares dos Santos (2001) a violência surgiria como uma forma de sociabilidade, configurando-se como um mecanismo de controle social, aberto e contínuo. Nas suas palavras:
"A violência seria a relação social de excesso de poder que impede o reconhecimento do outro - pessoa, classe, gênero ou raça - mediante o uso da força ou da coerção, provocando algum tipo de dano, configurando o oposto das possibilidades da sociedade democrática contemporânea" (p.107).
Nos estudos acerca da violência escolar, adquire importância a questão da violência simbólica, conceito introduzido por Bourdieu (1998), que cria a possibilidade de consenso, sendo dessa forma utilizada como instrumento de dominação pelos representantes do poder na escola, entre os quais se coloca o professor.
O poder simbólico é quase mágico, permitindo obter através da palavra e do convencimento o que se consegue pela força física, e, portanto, sem gasto de energia (Bourdieu, 1998). Trazendo esse conceito para a realidade das instituições escolares, percebe-se o professor com um duplo papel: de um lado, como representante do poder - dominador - e de outro, o de dominado, submetendo-se a regulamentos e exigências burocraticamente estabelecidas.
Refletindo sobre a adjetivação da violência com o termo escolar, Ristum (2004a) propõe que se diferencie a que é engendrada nas especificidades das relações escolares e a que, apesar de acontecer nela, poderia ocorrer em qualquer outra situação social, não devendo, portanto, ser qualificada como escolar. Nesse sentido, ela abarcaria as ações protagonizadas por membros da escola (alunos, professores, diretores, funcionários) e realizadas com motivação pertinente às características e dinâmica desta instituição.
Sposito (1998) afirma que os significados do termo violência podem passar por alterações coerentes com o conjunto das ações escolares, com o seu contexto de produção e manifestação, sendo necessário investigar como aí são produzidas significações que designam e normalizam condutas violentas ou indisciplinadas por parte dos atores envolvidos.
O presente estudo adota como referencial a teoria histórico-cultural, que busca compreender a origem e o desenvolvimento dos processos mentais dos seres humanos. Nesta perspectiva, entende-se que a cultura torna-se parte da natureza humana, moldando o funcionamento psicológico, ao longo de um processo histórico; ressalta-se o caráter socialmente construído da subjetividade dos homens (Vygotsky, 1984, 1988).
No âmbito da proposta da Psicologia histórico-cultural, Vygotsky destaca, de acordo com Tunes e Simão (1998), a importância, para a pesquisa em Psicologia, de considerar os informes e interrogatórios verbais do sujeito. Essas autoras afirmam que o relato verbal, enquanto técnica de coleta de dados, pode ser tomado como representante da consciência dos indivíduos, permitindo o estudo de processos subjetivos a que somente o sujeito tem acesso. Nesse sentido, a pesquisa com relatos verbais possibilita uma análise objetiva dos fenômenos conscientes. Seguindo nessa argumentação, as autoras defendem que, durante o relato verbal, o sujeito seleciona dados da sua realidade, cabendo ao pesquisador organizar o conteúdo das falas, atribuindo-lhe significados, de forma a permitir a emergência de novos dados. Dessa maneira, a participação do pesquisador associa-se ao processo mais amplo da gênese social da consciência humana.
Em um estudo, em que foram analisadas as concepções de professores sobre processos de ensino-aprendizagem, através de relato verbal, Silva e Tunes (1999) apontam que o discurso deles está intimamente associado a sua ação em sala de aula e afirmam ser possível estudar o pensamento das pessoas através de sua fala que, nas condições reais de vida, não se separa de sua ação. Esta posição pode ser relacionada à tese de Vygotsky, conforme Lúria (1986), segundo a qual o pensamento se forma ou se realiza na linguagem.
Seguindo enfoque semelhante, Bruner (1997) defende a importância de se considerar, no estudo psicológico do homem, não apenas o que as pessoas fazem, mas também o que elas dizem e como explicam suas ações, principalmente, argumentando que uma Psicologia de orientação cultural deve partir da premissa de que dizer e fazer representam uma unidade funcionalmente inseparável.

PROFESSORA AGREDIDA DENTRO DE ESCOLA DEVE SER INDENIZADA PELO ESTADO


O Distrito Federal deverá indenizar uma professora que foi agredida fisicamente por um aluno dentro da escola. A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu que o Estado pode ser responsabilizado por omissão quando não presta a devida segurança aos seus servidores. A decisão ainda manteve o valor da indenização em R$ 10 mil, conforme entendimento do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).
De acordo com o processo, a professora já vinha sofrendo ameaças de morte pelo aluno agressor. Segundo ela, a direção da escola, apesar de ciente, não tomou medidas para o afastamento imediato do estudante da sala de aula e não providenciou sua segurança. Após o dano sofrido, foram realizados exames de corpo de delito e psicológicos, os quais demonstraram as graves lesões, danos físicos e morais. Segundo os autos, a professora passou a ter receio de ministrar aulas com medo de sofrer nova agressão, mesmo sendo remanejada para outro centro de ensino.
Inicialmente, a servidora ajuizou uma ação de reparação de danos contra o DF, o diretor e o assistente da escola onde lecionava, com o intuito de responsabilizá-los pela má prestação no atendimento e pela omissão do poder público. O valor estipulado pela docente para a indenização, em princípio, era de R$ 15 mil.
O Distrito Federal alegou que não pode ser responsabilizado diante de omissões genéricas e que era necessária a devida comprovação de culpa da administração em não prestar a devida segurança, tendo em vista que havia a presença de um policial que não foi informado pela direção da escola sobre o ocorrido em sala de aula. O Distrito Federal nega haver relação de causa entre a falta de ação do poder público e o dano configurado.
A decisão em primeiro grau estabeleceu a indenização no valor de R$ 10 mil e afastou a responsabilidade do diretor e do assistente da escola, e manteve o Distrito Federal como responsável pelo dano causado. A professora apelou ao TJDFT na tentativa de elevar o valor da indenização e ver reconhecida a responsabilização do diretor e do assistente do centro educacional. O TJDFT, por sua vez, manteve o valor da indenização e concluiu que os agentes públicos não deveriam ser responsabilizados. O tribunal reconheceu que a culpa recai exclusivamente ao Distrito Federal, a quem incumbe manter a segurança da escola.
O recurso especial interposto ao STJ busca afastar a responsabilidade do Estado por omissão no caso. No processo, o relator, ministro Castro Meira, esclareceu que ficou demonstrado o nexo causal entre a inação do poder público e o dano sofrido pela vítima, o que, segundo o relator, gera a obrigação do Estado em reparar o dano. O ministro ressaltou que o fato de haver um policial na escola não afasta a responsabilidade do DF, pois evidenciou a má prestação do serviço público.
No voto, o relator observou que ocorre culpa do Estado quando o serviço não funciona, funciona mal, ou funciona intempestivamente. Ao manter o entendimento do TJDFT, o ministro Castro Meira assegurou que o tribunal aplicou de maneira fundamentada o regime de responsabilidade civil.
FONTE: STJ

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Projeto de Lei: Professores poderão ter direito a 14º salário.

Proposta que garante bonificação anual para os profissionais da educação básica que estiverem em exercício nas escolas e melhorarem seu desempenho poderá ser votado nesta quarta-feira (3) pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS). O projeto (PLS 319/08) é do senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

O benefício deverá ser concedido aos profissionais de escolas que elevarem em 50% o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), ou outro indicador que o suceda, ou alcançarem o índice mínimo de seis. Para o pagamento da bonificação, deve haver prévia reserva nas leis orçamentárias.

O projeto será votado na forma do substitutivo apresentado pela senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN). A senadora mudou a proposta original, dando a ela um caráter autorizativo e não mais obrigatório.

Entre os 33 itens em pauta na CAS, consta ainda projeto que institui a Política Nacional de Medicamentos (PLS 83/2010). De autoria do senador Papaléo Paes (PSDB-AP), a proposta recebeu voto favorável do relator, senado Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR).

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Diretora apedrejada por aluno

Charles Guerra/Diário Catarinense
Sindicato de professores diz que o caso é o 15º este ano na mesma escola

Florianópolis – A diretora Miriam dos Santos, da Escola de Educação Básica Celso Ramos, no Bairro Prainha, em Florianópolis, foi agredida com uma pedrada por um aluno de 15 anos. Segundo a Secretaria de Educação de Santa Catarina, Miriam teria chamado a atenção do estudante que estava fora da sala de aula. Após sofrer a agressão na cabeça, a diretora ainda teria sido ameaçada pelo adolescente, que prometeu vingança caso ela denunciasse o fato.

Abalada, a vítima pediu afastamento por 10 dias do cargo. Os professores, após a agressão, realizada na sexta-feira, paralisaram as atividades em protesto contra falta de segurança na escola. Uma reunião amanhã entre professores, pais e comunidade deve decidir quando as aulas serão retomadas e quais medidas serão adotadas para garantir a segurança.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte/SC), esse foi o 15º caso de agressão a professores da mesma escola somente este ano. “Ele não é isolado. Somente este ano foram 15 casos de agressão a professores na mesma escola. Desses, cinco registraram boletim de ocorrência”, disse Anna Julia Rodrigues, secretária geral do Sinte/SC.

De acordo com o sindicato, a escola está sucateada e precisa de políticas públicas voltadas para o convívio social entre alunos e professores. “O aumento da segurança no local é apenas uma medida paliativa. Defendemos uma escola cidadã, o maior convívio social entre alunos, professores e comunidade. Não só essa como outras escolas do estado carecem de medidas sociais, como atendimento psicopedagógico”, afirmou.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

PELADOS NA ESCOLA

Policiais Militares são indiciados por deixar alunos nus durante revista em colégio
Três policiais militares da cidade de Cássia, no Sul de Minas Gerais, foram indiciados pelo delegado Marcos Piedade por crime de desrespeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Em 27 de agosto, eles teriam obrigado 35 alunos da Escola Estadual São Gabriel a tirar a roupa durante uma revista pessoal, após o sumiço de R$ 19 da carteira de uma aluna.
De acordo com o delegado, os policiais descumpriram o artigo 232 do ECA, que diz ser crime submeter criança ou adolescente a vexame ou constrangimento. O inquérito foi concluído na tarde de quarta-feira. A pena para esse tipo de crime é de dois meses a dois anos de prisão.
Tudo começou quando uma aluna do 9º ano do ensino fundamental reclamou o sumiço do dinheiro da carteira dela e a diretora da escola,
Élida Aparecida Brusiquese Garcia, permitiu a entrada dos PMs para a revista. Pela atitude, Élida chegou a ser advertida pela Superintendência Regional de Ensino.
Uma das alunas, que foi revistada no banheiro por uma policial, contou da atitude dos militares. “O policial chegou na sala falando que ia ser desse jeito: ’tirar a roupa’. Aí todo mundo começou a reclamar, falando que não ia. Aí ele falou que a obrigação deles era cumprir o que estava no mandado”, contou a adolescente.
A estudante ainda disse que a policial evou cada aluna para o banheiro para fazer a revista. Os meninos foram revistados no banheiro masculino. Na ocasião, a diretoria da escola negou o abuso de autoridade dos policiais. A escola havia informado que partiu dos próprios alunos a atitude de chamar a polícia.

sábado, 3 de outubro de 2009

EDUCAÇAO X VIOLENCIA

Não é incomum ouvirmos o discurso, com grande razão, defendendo a educação como meio de resolução do(s) problema(s) da(s) violência(s) no Brasil. Sem crianças e jovens educados, com perspectiva profissional, moral e ética, dificilmente teremos uma sociedade pacífica, afirmam. Acontece que no Brasil a violência está tão disseminada, que até mesmo os ambientes responsáveis por educar, as escolas, estão sofrendo com isso, de modo que nos fica a pergunta: o que fazer se, conforme o raciocínio exposto, a falta de educação gera violência e a violência está impedindo que a educação, já com tantas dificuldades, seja implementada? Como anular esse sistema que se retroalimenta?
Obviamente, não podemos pensar em violência apenas como a agressão física cometida a uma pessoa, já que outros conflitos e instabilidades geram, às vezes, traumas mais danosos às pessoas e ao ambiente. Mas sem querer enveredar pelas discussões acadêmicas acerca do conceito de violência, podemos estabelecer, como fez a pesquisadora Angelina Peralva, o que caracteriza esse problema numa escola:
“Mulheres que já não ousam dar aula com a porta fechada. O conselheiro de orientação espancado, carro deteriorado por trás de portões de estacionamento fechados a cadeados, penetração constante na área do estabelecimento de pessoas estranhas a ele, na maioria das vezes ex-alunos que vinham acertar contas com colegas ou ex-professores, inclusive dentro das salas de aula.”
Por incrível que pareça, a descrição acima se refere a escolas francesas, mas na década de 90, onde também se enfrentava problemas similares aos nossos.
O curioso das mais recentes manifestações de violência na escola, é que foi quebrado o quase monopólio das ações truculentas por parte dos professores e funcionários, que por se situarem em condição hierárquica superior, costumavam ser os protagonistas dos casos de violência – indo desde o assédio moral até a violência física propriamente dita. Quem nunca ouviu de seu pai ou avô que em sua época os professores davam “bolo” ou usavam réguas e outros instrumentos para punir os alunos?
Atualmente temos a positiva consciência dos alunos, pais e professores de que o tratamento truculento dispensado do professor ao aluno é inaceitável. Os pólos estão invertidos: vê-se mais o aluno agredindo o professor do que o contrário – algo que o senso comum defenderá erroneamente como uma consequencia da abolição do tratamento abusivo que os professores exerciam antigamente. Professores e funcionários sofrem com a violência não por serem mais “brandos” do que no passado, mas porque vivemos um contexto extra-escolar que não foi absorvido devidamente pelas práticas da escola atual.
A escola não pode ser uma entidade que apenas se dispõe a ajudar o aluno a ’ser alguém quando crescer’ (a esse argumento capitalista sempre retruquei que todos tem o direito de não ’ser alguém’). Qual o vínculo criado entre o aluno e a escola? Moral, ética e cidadania são conceitos que passam longe das nossas instituições de ensino – públicas e privadas. Claro que é uma injustiça colocar toda essa responsabilidade no colo dos educadores formais, já que a família tem papel fundamental nesse âmbito. Mas a escola, como provocadora e incentivadora dessa nova postura, adequada ao status democrático que conquistamos em 1988, tem falhado.
Falha a escola como falha a polícia, e aqui toco no problema da violência nas escolas me referindo às responsabilidades do setor da segurança pública. O que se vê implementado na maioria dos estados brasileiros como “solução” para a violência nas escolas é o que, grosso modo, chamam de “Ronda Escolar”. Não que não seja importante o patrulhamento nos horários de entrada e saída de alunos nas escolas, mas o contexto da violência exige menos recursos logístico-financeiro e mais disposição para o diálogo (menos capital e mais comprometimento).
A filosofia de polícia comunitária é perfeita para atingir o problema da violência nas escolas. Ou melhor, o comunitarismo é perfeito para atingir o problema da violência nas escolas. O policial responsável pelo patrulhamento de determinada rua tem que dialogar com a diretora e as professoras que trabalham na escola daquele lugar, e ambos devem interagir com o médico e as enfermeiras do posto de saúde. Todos esses agentes públicos devem estar em sintonia com o líder comunitário e demais moradores, e os problemas devem ser compartilhados sob a ótica de cada competência – que não precisam ser exacerbadas.
À pergunta “quem é o aluno que comete violência na escola?”, todos os atores acima terão uma resposta a dar, cada um sob sua ótica profissional. Do mesmo modo que responderão à questão: “o que podemos fazer?”. O grande problema, que não ocorre apenas quando se trata de violência nas escolas, é conseguir unir essas pessoas, e garantir uma educação plena para uma segurança plena, e vice-versa.
PS: Sobre o assunto, sugiro a leitura do artigo “A Instituição Escolar e a Violência”, de Marilia Pontes Sposito, de onde tirei a citação de Angelina Peralva.
Em: Opinião, Reflexão

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Álcool no cérebro

Agência FAPESP – Após algumas doses a mais, é inevitável que o álcool “suba à cabeça”, como se costuma dizer. Mas se os efeitos inebriantes dessa ingestão são muito conhecidos, o mesmo não ocorre com sua atuação na atividade cerebral.

Um novo estudo, feito por cientistas do Instituto Salk de Ciências Biológicas e da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos, acaba de dar importante contribuição para entender melhor como o álcool altera o funcionamento das células cerebrais. O trabalho foi publicado neste domingo (28/6) pela revista Nature Neuroscience.

Paul Slesinger, professor do Laboratório de Peptídeos do Instituto Salk, e colegas descobriram uma área específica para a ação do álcool localizada dentro de proteínas de canais iônicos. A compreensão de como o álcool atua no cérebro pode ajudar no desenvolvimento de tratamentos para problemas como alcoolismo, uso de drogas ou epilepsia, apontam os autores do estudo.

Sabe-se que o álcool altera a comunicação entre neurônios. “Há muito interesse em descobrir como o álcool atua no cérebro. Uma das diversas hipóteses é que o álcool funciona ao interagir diretamente com proteínas de canais iônicos, mas não havia estudos que identificassem o local dessa associação”, disse Slesinger.

A nova pesquisa demonstra que o álcool interage diretamente com um local específico localizado dentro de um canal iônico, que tem papel fundamental em diversas funções cerebrais associadas com eventos epiléticos e com o abuso de álcool e drogas.

Os canais, chamados de canais Girk, são abertos durante períodos de comunicação química entre neurônios e amortecem o sinal entre eles, criando o equivalente a um curto-circuito.

Quando os Girks se abrem em resposta à ativação neurotransmissora, íons de potássio são liberados pelo neurônio, diminuindo a atividade neuronal. O estudo é o primeiro a identificar que o álcool estimula os canais Girk diretamente, e não por meio do resultado de outras alterações moleculares nas células.

“Achamos que o álcool sequestra o mecanismo de ativação intrínseca dos Girk e estabiliza a abertura dos canais. O álcool pode fazer isso por meio da lubrificação das engrenagens de ativação dos canais”, aponta Slesinger.

“Se pudermos encontrar uma droga que se encaixe no ponto específico de atuação do álcool e ative os canais Girk, talvez possamos diminuir a excitabilidade neuronal no cérebro, o que resultaria em uma nova estratégia para o tratamento da epilepsia”, disse o pesquisador.

O artigo A discrete alcohol pocket involved in Girk channel activation, de Paul Slesinger e outros, pode ser lido por assinantes da Nature Neuroscience em www.nature.com/neuro.

Impacto do álcool na adolescência

Agência FAPESP – O abuso de bebidas alcóolicas na adolescência pode ter efeitos danosos no processo de tomada de decisão na vida adulta. A afirmação é de um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, que será publicado esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Na pesquisa, ratos adolescentes ingeriram boa quantidade de álcool inserido em gelatinas. O consumo se deu durante 20 dias do período de crescimento dos animais, que tinham entre 30 e 49 dias, fase correspondente à adolescência em humanos.

Três semanas depois, os ratos foram colocados em um ambiente em que podiam escolher entre dois locais para se alimentar, ambos acionados por alavancas, um que tinha sempre duas balas de açúcar ou outro que poderia ter quatro balas ou nenhuma.

O grupo deu preferência para a área de alimentação incerta. Um segundo grupo, que não ingeriu álcool, foi colocado em ambiente semelhante e os animais preferiam escolher o local em que sabiam que sempre haveria as duas balas.

Os animais que ingeriram álcool na adolescência continuaram a optar pela incerteza na recompensa, mesmo quando as vezes em que eram colocadas mais balas diminuíram de 75% para 50% e, finalmente, para 25% do total. Ou seja, ainda que em apenas uma a cada quatro vezes o alimentador oferecesse mais balas, os ratos continuavam a optar por pressionar tal alavanca. O resultado é que os animais do outro grupo se alimentaram constantemente e melhor.

O objetivo do estudo, que teve apoio financeiro dos institutos nacionais de Abuso de Drogas e de Abuso de Álcool e Alcoolismo do governo norte-americano, foi verificar se o consumo de álcool em níveis elevados durante a adolescência poderia afetar futuramente as áreas no cérebro envolvidas no processo de decisão.

De acordo com os autores, os animais que consumiram álcool enquanto jovens se mostraram mais propensos a tomar decisões arriscadas do que os demais.

O teste de recompensa, com a alimentação constante e com a desconhecida, foi repetido quando os animais atingiram os três meses de vida, com resultados semelhantes.

“Sabemos que a exposição precoce ao álcool e outras substâncias é um indicador de posterior abuso químico em humanos. É um conceito novo pensar que a exposição na adolescência pode ter efeitos cognitivos de longo prazo, mas não podemos testar isso em pessoas”, disse Nicholas Nasrallah, um dos autores do estudo.

“Mas nosso modelo, que envolveu o uso de ratos, corrobora a relação causal entre o uso precoce do álcool e o posterior aumento nas tomadas de decisões arriscadas”, afirmou.

“O modelo animal que utilizamos permite estabelecer essa relação. Estudos apontam que regiões do cérebro, incluindo aquelas envolvidas na tomada de decisões, demoram para se desenvolver e o processo se alastra pela adolescência. Nosso estudo indica que as estruturas envolvidas nesse desenvolvimento tardio são afetadas pelo abuso do álcool”, disse Ilene Bernstein, professora de psicologia da Universidade de Washington, outra autora do estudo.

O artigo Long-term risk preference and suboptimal decision-making following adolescent alcohol use, de Ilene L. Bernstein e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da Pnas em www.pnas.org.

Alcoolismo

Agência FAPESP – Uma pesquisa realizada pelo Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), órgão ligado à Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, apontou que metade dos adolescentes que faz uso abusivo de bebidas alcoólicas tem pai ou mãe que também ingere álcool com frequência.

Segundo a secretaria, o levantamento teve como base os atendimentos realizados no Centro de Referência entre 2002 e 2009, na capital paulista, com pacientes que apresentaram sintomas preocupantes quanto ao uso de bebida alcoólica.

Foram ouvidos 512 pacientes entre 12 e 17 anos, dos quais 86% são do sexo masculino. Desses, 256 afirmaram ter parentes que também fazem uso abusivo de álcool.

O estudo indicou ainda que 4,36% dos entrevistados apontaram o álcool como droga que mais consomem. Dos entrevistados que apontaram o álcool como droga principal, 22% começaram a beber aos 13 anos de idade e 15% aos 11.

“O alcoolismo é uma doença que demora a ser diagnosticada, não é um vício que se consolida rapidamente. Mas o fato de esses jovens começarem a beber tão precocemente é de grande preocupação, já que com o passar dos anos esse hábito pode se transformar em vício e o tempo de uso em idade tenra ocasiona sérios danos para a saúde dos usuários”, disse o psicólogo Wagner Abril Souto, autor da pesquisa e coordenador do programa de adolescentes do Cratod.

O Cratod oferece tratamento gratuito para dependentes de álcool, tabaco e outras drogas. O centro fica localizado na Rua Prates, 165, Bom Retiro.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Medo na sala de aula

Em 2007, foram registrados 66 casos de violência contra funcionários na rede estadual; em 2008, foram 59. Até março deste ano, quatro casos foram contabilizados, mas ainda há processos
não finalizados. A situação enfrentada pela escola é similar a de muitas outras instituições brasileiras, segundo Miriam Abramovay,socióloga e pesquisadora da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla). “A violência acontece muitas vezes porque a escola não escuta os alunos.As instituições deveriam fazer um diagnóstico e começar um processo de educação,onde todos os professores possam aprender a mediar conflitos“, afirma.
Segundo Abramovay, essa violência aparece nas relações sociais. “As microviolências, como agressões verbais e físicas, apelidos e homofobia desencadeiam esses ataques”,afirma. Se a perda de controle do aluno se dá em uma sala de aula, a instituição de ensino
também tem uma parcela de responsabilidade.
A socióloga considera que os pais também contribuem para esse desequilíbrio, mas não são os culpados. “É muito fácil a escola pôr a culpa nos pais, mas eles também enfrentam situações difíceis.
Grande parte tem escolaridade menor que os filhos e também não sabemoque fazer.
A escola não dialoga com a família e a situação se complica“,
Ela afirma que ainda não existem receitas prontas para a solução do problema.
“A primeira coisa a se fazer é um diagnóstico da situação, como a Ritla fez em Brasília.”
Abramovay diz que cada reação de alunos contra os colegas de classe, professores e
funcionários deve ser encarada como uma “mensagem de que algo não está indo bem”.
A solução inicial seria preparar melhor os professores para essas situações

domingo, 14 de junho de 2009

Encontro sobre violencia nas escolas

A situação do ensino e das escolas públicas foram temas do 16º Encontro Regional de Educação promovido ontem pela Udemo de Marília – Sindicato dos Especialistas no Ensino Superior Oficial do Estado de São Paulo.

Assuntos como a violência nas escolas e a progressão continuada do ensino foram debatidos pelos palestrantes convidados, diretores, vice-diretores, professores coordenadores e supervisores das bases de Marília, Assis, Lins, Ourinhos, Pirajuí e Tupã.

De acordo com a presidente da Udemo Marília, Eliane Alves Passos, proposta do encontro é orientar os profissionais sobre os problemas que vêm sendo crescentes nas escolas, como é o caso da violência.

Segundo ela, em pesquisa realizada pela Udemo em todo o Estado no fim de 2008, de todas as escolas que responderam a pesquisa, cerca de 80% tiveram registro de violência no decorrer do ano letivo.

Elaine ressalta que o nível de violências nas escolas tem aumentado e é preciso que os diretores estejam preparados para trabalharem e orientarem. "Quando há aumento da violência, tendência é de que haja queda na qualidade do ensino e isso não podemos deixar que isso aconteça", frisa.

Evento contou também com a palestra do juiz titular da Vara de Infância e Juventude de Marília, Donizete Aparecido Pinheiro da Silveira.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

BURNOUT


Professores
(Déa Januzzi, Sandra Kiefer e Telma Gomes)
Suzana, Tânia, Mara e Marcos são professores da rede pública de ensino e estão sofrendo de uma dor profunda, praticamente incurável: a Síndrome de Burnout atinge 25% da categoria ou um a cada quatro professores. É o que revela a pesquisa realizada pelo Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), apresentada, no ano passado, no Congresso de Pedagogia de Cuba, com repercussões internacionais. Descoberta no Brasil, a Síndrome de Burnout é recente e está transformando a vida dos professores. Apáticos, desiludidos, frustrados profissionalmente, os professores estão doentes. Burnout não é estresse, depressão ou angústia. Em português quer dizer perder o fogo, a energia . É uma síndrome que faz o trabalhador perder o sentido de sua relação com o trabalho, de forma que nada mais importa e qualquer esforço parece inútil , explicam os pesquisadores.
No dia-a-dia , os professores enfrentam o dilema de poder oferecer o melhor ao seu aluno, mas muitas vezes se deparam com tantas dificuldades que desenvolvem a Síndrome de Burnout, uma espécie de ausência que pode levar à falência da Educação. Eles se transformam em robôs. Entram para a sala de aula, viram para o quadro e não se importam com o que está acontecendo à sua volta , diz Marcos Maiolino, assessor da CNTE. A postura de distanciamento, segundo ele, é grave, pois a atividade educacional pressupõe envolvimento. Se o professor está ausente, alguma coisa anda errada com a educação .
Outros trabalhadores podem apresentar estresse, mas quando voltam para casa esquecem o problema. Já o professor não só leva os exercícios para casa, mas também os problemas, as dificuldades de cada aluno, pensa naquele que se envolve com drogas, que está se iniciando no mundo do crime ou no outro que não aprende, pois o pai abandonou a casa. Tem o aluno que não pode comprar material escolar ou que sofre a violência doméstica, abuso sexual. Tem o outro que briga na rua. O professor quer mudar a vida do seu aluno, está comprometido com o seu futuro, com a esperança de uma vida melhor. Muitas vezes, ele leva o aluno para casa .
O magistério é encarado pelo professor como uma missão, que pode levar à Síndrome de Burnout, se não for cumprida: Eu me sinto impotente ao lidar com os alunos, pois é algo semelhante a remar contra a maré. Às vezes é possível observar algum esforço da parte deles, mas não há retorno, pois as deficiências de aprendizagem e as barreiras são muito grandes. No total de alunos, metade é totalmente apática. Os outros 50% até se esforçam, mas não possuem base, não absorvem. Não vejo resultado em meu trabalho, sendo que os alunos da noite conseguem ser ainda piores. Estou sendo muito sincera, não consigo encontrar nenhum tipo de satisfação no magistério. Se existir ainda alguma coisa é desprezível. Trabalho apenas por obrigação. Ao sair para o trabalho, o que me move é apenas o sentimento de obrigação. É como o gado que sai para pastar e depois volta para casa , conta uma vítima de Burnout.
A professora *Suzana está com medo de escrever as lições no quadro, treme só de pensar em virar de costas para a turma, pois sabe que um de seus alunos tem um revólver escondido dentro da mochila. Na escola da Nova Granada, região Oeste da cidade, a professora é ameaçada de morte todo dia, mas nem pensa em desistir pois gosta demais da turma. Conhece o nome e o sobrenome de cada um. E, nos últimos dias, anda muito feliz, pois conquistou a confiança do aluno mais temido da escola. Agora, ele entrega à professora o cigarro de maconha antes de entrar na sala de aula. Para garantir as conquistas, a professora dá o telefone de sua casa. Um dia, porém, alguém liga para dar a pior notícia que ele poderia receber: o aluno acabara de ser morto por traficantes. O mundo vem abaixo. Dois meses de licença e a dor não vai embora, até que ela pede transferência da escola, porque tem medo de que não consiga mais manter a mesma qualidade do ensino.